10.1.20

Crônicas para ler em qualquer lugar


Janeiro de 2020 e cá estou na luta para tentar cumprir uma das metas mais importantes para este novo ano: voltar a ler com frequência. Mais do que querer perder os quilinhos extras, refazer a tatuagem já apagada, fazer algum exercício físico ou, talvez, rever o ramo profissional (jornalismo não tá fácil, não), comecei as resoluções de 2020 com o que me dá imenso prazer: a leitura. E comecei bem.
Nas mãos, a obra de Gregório Duvivier, Maria Ribeiro e Xico Sá  “Crônicas para ler em qualquer lugar”. À propósito, o título faz jus à flexibilidade dos textos: qualquer brecha no tempo e pá: leitura feita.
Duvivier traz textos repletos de ironia, sarcasmo e humor, trata sobre a fixação pelas redes sociais e os likes, a pseudo fraude da paternidade, a religião (Querido pastor é fantástico), deus e política (o momento pede!). Enquanto isso, Maria Ribeiro fala de nostalgia e saudade (Dorme, João), comenta a dor da separação e a tão certeira morte. Ah, fala também de política. Por fim, Xico Sá vem com todo o seu lirismo, observações do cotidiano escrita com louvor e amor, fala da chegada da filha e, claro, política. 
Alguns destes textos já foram publicados em jornais e portais, outros tantos inéditos, todos com efeito de entretenimento e informação. Desde 2016, o trio viaja pelo Brasil e lotam auditórios falando sobre tudo que trate de literatura, num projeto chamado “Você é o que você lê”.
Se eu falar mais dos textos, precisaria colocá-los aqui e pra isso já serve o livro. Posso, no máximo, ou no mínimo, é sugerir que leia. Que você se permita momentos de descontração com estes textos, tão vivos, tão lindos, tão ricos de conteúdo. O momento brasileiro pede textos como este, pede pessoas como estas, capazes de nos fazer parar, pensar, rir, refletir e, veja só, até cumprir suas metas. Só tenho a agradecer ao Xico, Maria e Gregório, nessa altura já amigos de longa data.

Título: Crônicas para ler em qualquer lugar
Autor: Gregório Duvivier, Maria Ribeiro e Xico Sá
Editora: Todavia
Preço sugerido: R$ 44,90

23.10.19

A parte que falta encontra o Grande O



Vimos no outro livro (A parte que falta), um ser circular em busca da sua parte que faltava. Aventuras passou, descobertas fez, por locais diferentes andou até entender que faltar uma parte talvez nem fosse tão ruim assim. Sem a parte, podia andar devagar, conversar com amigos pelo caminho, sentir a borboleta pousando, ver o mundo ao seu redor. Mas, principalmente, podia seguir buscando. Aí está o verbo em questão: buscar. O ser circular passou a vida achando que só seria feliz quando encontrasse a parte que lhe faltava, quando a encontrou percebeu que não, que o deixava feliz era seguir buscando. Não necessariamente para preencher-se, mas pelo simples fato de poder andar na velocidade que quisesse e para onde quisesse.
Eis que temos agora “A parte que falta encontra o Grande O”. Não sei, exatamente, se é uma continuação da obra anterior, pois não trata sobre a busca do ser circular, mas sim da busca feita pela parte. Ops! Sim, a parte que falta também tem lá suas vontades, seus sonhos e suas ambições. Não existe apenas para esperar que um ser circular a encontre e diga-lhe ser sua.
Por muito tempo, a parte que falta ficou sozinha esperando que alguém aparecesse e a levasse a algum lugar. Alguns encaixavam, mas não podiam rolar, outros podiam rolar, mas não encaixavam... seguia seu caminho nessa busca tentando de tudo para encontrar alguém em quem encaixar perfeitamente. Até que um dia encontrou o Grande O. Animada, a parte que falta pediu: posso seguir com você? O Grande O, firme, respondeu: “Não, vou sozinho. Sou completo”. Mas, a parte que falta insistia. “Você não pode rolar comigo”, disse o Grande O, “mas talvez possa rolar sozinha”. Sozinha?, questionou-se a parte, não acreditando ser capaz.
No entanto, a parte que falta começou a tentar. Será que conseguiria rolar sozinha? Será que conseguiria mudar a sua forma e rolar mundo a fora sem estar com alguém? Sim. A resposta é sim! E conseguiu por que tentou. Porque acreditou em si. Rolou feliz, tendo em si a capacidade de mudança e de preenchimento. Não precisava mais de um outro ser para rolar, bastava a si mesma. Enquanto rolava encontrou novamente o Grande O. Rolaram juntos. Sem completaram-se, apenas juntos, lado a lado, fazendo companhia um ao outro.
Se na primeira obra entendemos (entendemos mesmo?) que a busca é o que nos move sem necessariamente precisar encontrar algo, pois enquanto buscamos descobrimos coisas, aprendemos, conhecemos; nesta, reconhecemos (?) que é possível estar completo mesmo faltando alguma parte; ser feliz assim e poder estar junto de outro sem, necessariamente, completar ou ser completado. Apenas juntos!


Título: A parte que falta encontra o Grande O
Autor: Shel Silverstein
Editora: Companhia das Letrinhas
Preço sugerido: R$ 44,90

21.10.19

Viva como se estivesse de partida

Novembro de 2016. Qualquer pessoa que ligasse a TV ou acessasse as redes sociais somente veria um mesmo assunto: a queda do avião da Associação Chapecoense de Futebol. Notícias desencontradas, tristeza, comoção.
Tragédias de grande impacto têm dessas características. Mas, têm também grandes histórias guardadas em cada minuto que antecede seu acontecimento.
Uma delas, na voz de Rafael Henzel, o interlocutor dessa triste história, único jornalista sobrevivente do voo e um dos seis sobreviventes do desastre que resultou na tragédia envolvendo jogadores da Chapecoense, comissão técnica, dirigentes, jornalistas e tripulação do avião da LaMia.
Rafael saiu de lá com vida, resolveu colocar no papel não só a descrição de uma tragédia, mas, principalmente, mensagens de otimismo, fé, gratidão e agradecimento por todo o apoio recebido.
“Viva como se estivesse de partida: um relato emocionante do jornalista que sobreviveu à tragédia da Chapecoense”, conta, é claro, os últimos instantes do grupo que estava no avião; da expectativa do Clube para o jogo que enfrentaria; do futuro; dos sonhos; da vida, enfim, que seguia seu curso normal.
No entanto, este tal “curso normal” prega lá suas peças; nos pega meio desprevenido; não consulta a nossa agenda para ver os planos dos dias que virão (e não vem).
Foram 71 mortos. Na verdade, prefiro dizer: foram 71 histórias que tiveram seus cursos alterados naquele novembro de 2016. 71 famílias que enfrentaram a dor da perda e da saudade. Foi uma cidade inteira abalada pelo vazio causado por tamanha tristeza.
Rafael traz a mensagem destes sonhos que foram mudados (e é assustador pensar em como somos pequenos diante de acontecimentos como esse). Mas, apesar da dor física, do abalo, da tristeza, o jornalista traz a esperança de quem foi resgatado; de quem teve uma segunda chance e entendeu o recado; de quem não desperdiçaria qualquer chance de viver feliz, ao redor de quem se ama, fazendo o que se gosta.
E foi isso que, segundo apresenta no livro, fez: viveu!

“Tudo o que posso fazer é comemorar essa segunda possibilidade de viver. Esse é o convite que eu faço a todos: comemorem a possibilidade de viver”.

Título: Viva como se estivesse de partida: um relato emocionante do jornalista que sobreviveu à tragédia da Chapecoense
Autor: Rafael Henzel
Editora: Principium
Preço sugerido: R$ 19

A caixinha de surpresa que é essa vida, fez com que, neste ano, Rafael se despedisse de vez. Deixou família, filho, amigos e uma marca: o gosto pela vida. 

9.9.19

Simples Assim


Entre as correrias (digo, atividades) do dia, o filho na escola, a bebê serelepiando pela casa, resolvi parar, respirar fundo e agir: é hora de voltar à leitura nossa de cada dia! Enquanto ainda pensava se ia conseguir, parti em direção à livraria.
Saí animada, como sempre, tendo saudade de um tempo em que, num domingo qualquer, acordava, fazia um café e via que o único compromisso era ler este ou aquele livro. Lembranças de um passado nem tão distante assim, mas que tudo parecia diferente. O que mudou nesse meio tempo: a gente ou o mundo?!
Os dois. Apenas quem se manteve intacta, foi ela: Martha Medeiros. Abandonada entre uma fralda e outra, surge novamente para distrair e ocupar o meu dia. Ela que sempre parece viver freneticamente, em constante movimento, mas que consegue, com suas crônicas, nos propor esta pausa, este respiro. Com textos do cotidiano, analisa os passos ao seu redor, o comportamento social e, se você prestar atenção, lá nas entrelinhas, tem ainda espaço para grandes puxões de orelhas.
Simples Assim” foi lançado em 2015 e, apesar de textos mais factuais, consegue manter-se atual e nos faz refletir (não filosoficamente, que não é essa a ideia), nos faz distrair de maneira produtiva e não apenas rolando sob último post. Nas últimas páginas, o livro vai um pouquinho além e dá dicas: “Se te perguntam, responda. Se te emprestam, devolva. Sem dinheiro, não compre. Se te dão, agradeça. Se te confiaram, cuide. Se te agridem, afaste-se. Se te pagaram, entregue. Se cansou, pare. Se te confidenciaram, silencie. Se te roubaram, acuse. Se colocou no mundo, crie. Se contratou, pague. Se gostou, fique. Se não gostou, recuse. Se errou, desculpe-se. Se acertou, repita. Se tem que fazer, faça. Se prometeu, cumpra. Se vai atrasar, avise. Se te necessitam, ajude. Se você precisa, peça.” Simples Assim! Pra que complicar, seja simples. Tenha atitudes simples.
Nem tudo na vida precisa de uma tese, uma teoria, ou uma resposta à qualquer conspiração. Se for pra teorizar, que seja pensando no bem, na melhoria, mas enquanto teoriza, viva! Conectado, atual, digital, seja lá como for. Mas viva.
É hora de pararmos de perder tempo com desculpa, sejamos mais simples.
A isso tudo Martha chama de transparência e assertividade. Com estas duas características, percebemos que é preciso decidir os rumos que vamos tomar e parar de ir apenas levando; no entanto, só podemos decidir o futuro se tivermos clareza das regras do jogo e, principalmente, se soubermos aonde queremos chegar.
De um jeito ou de outro é preciso ver os amigos, seja com hora marcada, seja só para dar um abraço (porque a agenda estava cheia). De um jeito ou de outro seu filho vai crescer, você participando ou não. De um jeito ou de outro a sua faculdade vai chegar ao fim. De um jeito ou de outro o trabalho vai ser feito. Mas é preciso decidir como: se marcando hora com os amigos; ficando em casa com as crianças; estudando pra valer ou levando nas coxas.
A vida é o agora. E o agora é o mais importante. Não vale a penda deixar para ser melhor amanhã ou no ano que vem.
É simples. É assim. É simples assim!


Título: Simples Assim
Autor: Martha Medeiros
Editora: L&PM
Preço sugerido: R$ 22

7.8.19

Lute como uma garota



O ano é 2018, mas, olha, às vezes é preciso recorrer ao calendário para confirmar. É tanto alarde sobre retrocessos que não dá para acreditar que estejamos, de fato, no ano em que estamos. Por isso, “Lute como uma garota” surge neste espaço como uma forma de lembrar a história que muitos por aí parecem ter esquecido.
Escrito em parceria com a jornalista Fernanda Lopes e a escritora, editora e feminista Laura Barcella, “Lute como uma garota: 60 feministas que mudaram o mundo” faz um resumo da vida e da obra de mulheres que fizeram a diferença para nós que cá estamos desfrutando desta tal liberdade, direitos e justiça.
A obra traz perfis de visionárias que, já no século XVIII, brigavam para poderem estudar, depois trabalhar e, quem sabe, num futuro escolher seus próprios maridos. Louco né?! E loucas elas eram julgadas tanto por homens como por outras mulheres que, por medo e covardia, preferiam deixar as coisas como estavam. Que bom, mas que bom mesmo, que sempre existiram estas loucas e que cada uma, a seu tempo, obteve tantas melhorias para o mundo.
No livro, temos nomes bastante conhecidos como Mary Wollstonecraft (a primeira feminista), Frida Kahlo, Simone de Beauvoir, Rosa Parks, Yoko Ono, Madonna e Beyoncé, além de 15 brasileiras, dentre elas Nísia Floresta (considerada a primeira feminista brasileira), Chiquinha Gonzaga, Anália Franco, Clarice Lispector e Maria da Penha.
E se lá atrás a luta começou pelo direito ao estudo, hoje existe para tentar equalizar os anos de machismo que delegaram papeis subalternos às mulheres, como se fossem incapazes de desenvolver e executar determinadas ações; é para tentar mostrar que, mesmo usando roupa curta, a mulher nunca é culpada pelo seu estupro; é para tentar mostrar que nenhum homem pode bater na mulher só porque tem com ela um laço religioso ou legal; é para tentar esclarecer que nós temos o direito de falar e agir sobre nosso corpo, ele é nosso.
Termino, assim, a leitura, mais consciente do papel que cada uma de nós tem em discutir e não aceitar o machismo seja na forma que for. Seja na piada pronta, na não contratação pelo simples fato de ser mulher, na violência (doméstica e urbana – existe esse termo?!), nos julgamentos e nos inúmeros preconceitos que sofremos. Como cita Nana Queiroz, na apresentação do livro: “Celebrar o passado é responsabilidade de quem está comprometido com a construção do futuro. Essas mulheres sofreram, e seu sofrimento é hoje o nosso festejo para podermos nelas nos inspirar”.

Título: Lute como uma garota

Autor: Laura Barcella e Fernanda Lopes
Editora: Cultrix
Preço sugerido: R$ 45


5.6.19

A parte que falta

Escrito e ilustrado por Shel Silverstein, “A parte que falta” é intitulada como literatura infantojuvenil, mas encanta e faz refletir adultos de diferentes idades. 
Publicada originalmente em 1976, já tinha seu reconhecimento literário garantido. No entanto, ganhou repercussão com o vídeo de pouco mais de oito minutos publicado por Julia Tolezano no canal JoutJout Prazer em 2018. Isso porque Jou Jout não apenas lê, ela transborda com o livro. Não havia como ser diferente.
“A parte que falta” trata exatamente a falta que sentimos de uma coisa ou de outra. Essa falta que não nos deixa sossegar, que está sempre a sussurrar “vamos, você precisa encontrar a parte que falta”, como se não pudéssemos ser felizes assim como somos; como se só com a parte que falta é que estaríamos completamente plenos e satisfeitos. “Busco a parte que falta em mim”, diz o livro de Shel Silverstein que começa explicando: “Faltava-lhe uma parte e ele não era feliz. Então saiu em busca da outra parte”.
No livro, o protagonista da história é um ser circular que acredita existir pelo mundo uma forma que vai completá-lo perfeitamente e que, quando estiver completo, vai se sentir feliz de vez. Então, ele parte animado em uma jornada em busca de sua parte que falta.
Mas, é nesta busca (que dificilmente será alcançada, pois quando encontramos a parte que falta, sentimos falta da busca e novamente voltamos a querer algo que não temos), é que está a vida. Uma constante de falta e busca, busca e falta; encontra, perde, amassa, esbarra, aperta, quebra, machuca, ri.
No caminho em busca da parte que falta sempre há o que ver, o que sentir e o que viver. Mas às vezes, tão focados na parte que falta nem percebemos o aroma das flores, o vento no cabelo, a borboleta pousando. Enfim, a busca é a nossa vida. Pois, ao explorar o mundo, podemos perceber que a verdadeira felicidade não está no outro, mas dentro de nós mesmos. E que mesmo sem a parte que falta podemos ser felizes. E somos.
São escolhas: deixar para ser feliz depois? Depois de encontrar a parte? E se não houver a parte? E, se achando a parte, ela não fizer tão bem?  



“Enquanto rolava cantava essa canção: busco a parte que falta em mim, a parte que falta em mim. Ai ai o. Assim eu vou, em busca da parte que falta em mim”

Título: A parte que falta
Autor: Shel Silverstein
Editora: Companhia das Letrinhas
Preço sugerido: R$ 44,90

19.6.18

Na minha pele


O país, digo, o nosso país, passa por um processo transformatório gigantesco. Por vezes assustador, tenho de concordar. Estamos num momento político (e ético) nunca antes vivenciado. Acesso à cultura e a benefícios antes inimagináveis; lutas de (muitos) anos que trazem conquistas incalculáveis para as minorias; espaço para essas minorias se manifestarem; a busca pela pluralidade e, principalmente, pela valorização desta pluralidade. Mas não é só isso.
Ao mesmo tempo em que ganhamos com esses espaços, há uma corrente (crescente) de conservadorismo. Talvez há 1 ou 2 anos isso parecesse apenas que as pessoas estavam ficando mais caretas em relação a alguns temas, mas não. As pessoas estão mais radicais com relação a alguns temas. Principalmente os que tratam sobre direitos para a comunidade LGBT, por exemplo; violência e machismo contra mulheres (ainda esse assunto?!); cotas para negros (isso também?! Tá chovendo no molhado), só para citar os mais comuns, os assuntos mais clichês.
“Começou o Mimimi”, poderão sussurrar alguns que chegaram até este ponto da leitura. Mas e cadê o livro? O livro (claro, ia chegar nele) fala justamente de uma dessas minorias, que bem da verdade é minoria só nos direitos, porque são e sempre foram a grande maioria neste país, os negros. A obra, “Na minha pele”, de Lázaro Ramos é uma autobiografia, mas que não é bem biografia, dita pelo próprio escritor com uma viagem. Nesta viagem, o autor volta às origens para resgatar sua própria história, entender mais o mundo de que veio e a que pertence. Faz também um resumo de como ingressou no teatro, depois cinema e TV, mas essencialmente, apresenta como desenvolveu seu empoderamento enquanto negro. Empoderamento este que está muito em voga nos últimos anos. Mas e porque o empoderamento está em alta se vínhamos (o país) numa crescente de igualdade? Afinal, não somos todos iguais perante a lei? Voltamos aí ao início do texto quando falávamos que estamos mais “radicais”. Afinal, mesmo com a experiência, com os estudos comprovando quais são e quantas são as populações que sofrem de preconceito e injustiça social, ainda assim, o preconceito e o ódio crescem a cada dia. É como se ignorássemos a nossa própria cultura, como se não tivéssemos história, como se não fossemos o país miscigenado que somos.
E a obra de Lázaro Ramos faz justamente o contrário. Nos apresenta a realidade, com números assustadores e tristes de racismo. Revelando sua história ele apresenta a de muitos outros. E nos faz um pedido: “desfrute o prazer de estar aberto ao novo e ser curioso pelo que não conhece. Exercite o olhar, sem preconceber nada”. Parece simples, mas se fosse os índices de violência contra a população negra não seriam tão altos; a quantidade de negros em presídios e manicômios não seria a maioria; mulheres negras assassinadas não somariam 54,8% (de acordo com o último mapa da violência feito no Brasil – neste, mulheres brancas somam 9,8%). A caminhada é longa, mas cabe a cada um de nós dar um passo para a igualdade; perceber e admitir que existe racismo; e nunca deixá-lo seguir em frente, seja em piada, frase pronta ou em atitude. 

“Esses somos nós, reflexos de um espelho quebrado que, como um mosaico, apresenta um pedacinho de nossa história. Se visto com carinho, cada pedaço pode ter sua beleza, valores e complexidades reconhecidas. Para isso têm surgido novas vozes, novos portadores de microfones, prontos para ampliar suas falas, experiências e histórias. Ouçam as vozes desse Brasil plural e nosso.”

Título: Na minha pele
Autor: Lázaro Ramos
Editora: Objetiva
Preço sugerido: R$ 27

Crônicas para ler em qualquer lugar

Janeiro de 2020 e cá estou na luta para tentar cumprir uma das metas mais importantes para este novo ano: voltar a ler com frequência. M...